Até onde os energéticos são inofensivos?

Companheiros dos estudantes em noites de estudo, e em noites de folga, as bebidas energéticas já fazem parte do perfil de consumo do povo brasileiro. Inicialmente idealizadas para o público noturno, hoje em dia os energéticos são utilizados pelas mais variadas faixas etárias com diversas motivações. Com função principal de fornecer energia imediata, não é de se admirar que a bebida tenha conquistado as mesas de estudo de universitários e estudantes em geral.
De acordo com a ANVISA, atribui-se
o uso da expressão “bebida
energética” ou “energy drink” ao produto
que contém em sua composição
inositol e/ou glucoronolactona e/ou
taurina e/ou cafeína, podendo ser
adicionado de vitaminas e minerais
e, inclusive, de outros ingredientes,
desde que esses não descaracterizem
o produto.
A taurina, ou o ácido 2-aminoetanosulfónico, é um aminoácido derivado
dos aminoácidos sulfurados
(metionina e cisteína),
que se encontra
conjugada com
ácidos biliares
de sódio e potássio, formando o ácido
taurocólico. É também o principal aminoácido
intracelular livre da maior
parte dos tecidos dos mamíferos. Em
seres humanos, é biossintetizada e
ingerida como parte da dieta normal.
Estudos demonstraram que as maiores
concentrações intracelulares de
taurina são encontradas no coração,
leucócitos, músculo esquelético, retina
e sistema nervoso central, sendo
o fígado o local de maior variação nas
concentrações de taurina, onde estas
são dependentes da dieta ingerida.
Além das bebidas energéticas, a
taurina também pode ser encontrada
em frutos do mar (mariscos, ostras),
aves (carne escura de frango ou peru)
e carne bovina.
Existem evidências de que a taurina
participa de várias funções fisiológicas importantes. No sistema nervoso
está associada à osmorregulação,
antioxidação, detoxificação e estímulo
da glicólise e glicogênese. No fígado,
a taurina conjuga-se com ampla variedade
de produtos tóxicos, como
metabólitos de medicamentos e xenobióticos,
permitindo que estas toxinas
sejam rapidamente excretadas
pelo organismo. A taurina pode ainda
se complexar com metais pesados e
reduzir os níveis destes metais pelo
mecanismo de desintoxicação pela
redução rápida com a formação de
produtos estáveis.

A glucoronolactona é um tipo de
carboidrato biossintetizado a partir
da glicose, podendo ser encontrado
também no vinho tinto, cereais,
maçãs e peras. É essencial para a
desintoxicação e metabolismo de
ampla variedade de xenobióticos e
medicamentos, via conjugação no
fígado, que são excretados na urina. Outra função desintoxicadora
atribuída à glucoronolactona é a
sua complexação com a bilirrubina
e, posterior, eliminação pela urina.
A glucuronolactona é rapidamente
absorvida e metabolizada quando
administrada oralmente.
O inositol, também conhecido
como myo-inositol, é um
isômero da glicose encontrado
na forma livre,
na forma de
fosfolipídeo
e em formas
fosforiladas, conhecido como
ácido fítico. Suas fontes são frutas cítricas (exceto
o limão), feijão, pasta de amendoim,
lecitina de soja, levedo de cerveja,
gérmen de trigo, etc.
Sim, mas e aí? Posso continuar virando minhas noites a base de energético?
Pois é, como em tudo, exageros são péssimos para sua saúde. Como os efeitos são passageiros, os energéticos apenas mascaram a fadiga, podem provocar insônia e aumentar a frequência cardíaca. Além disso possuem níveis elevadíssimos de cafeína, trazendo todos aqueles efeitos que já discutimos. A bebida também é capaz de acelerar a perda de cálcio e magnésio pelo organismo, resultando em câimbras e, em longo prazo, osteoporose. Quando adicionamos bebidas alcoólicas à equação é que complicamos ainda mais o quadro. Como tanto cafeína e álcool são diuréticos podemos chegar a um quadro de desidratação facilmente. Além disso os efeitos do energético mascaram os sintomas da embriaguez, levando a comportamentos de risco. O fígado torna-se também sobrecarregado, pois age na metabolização do álcool e das substâncias do energético, porém, quando chega no limite da sua capacidade de metabolização, provoca o acúmulo dessas substâncias no sangue, ocasionando uma overdose.
Segundo o I Levantamento Nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre Universitários das 27 capitais brasileiras, os energéticos foram os mais frequentes consumidos associados com bebidas alcoólicas, ficando na frente do tabaco, maconha e outras drogas. Considerando nos últimos 30 dias, 71,8% universitários consumiram essa combinação de 1 a 5 vezes, contra 56,9% do que com tabaco e 63,6% do que com a maconha. Pela pesquisa, observou-se também que o uso é maior entre os homens e os mais novos, até 24 anos, sendo que, considerando toda a vida, 88,8% dos entrevistados com até 18 anos já fizeram essa combinação.
Atenção: não consuma mais do que duas latinhas de energético em um único dia e evite misturar com bebidas alcoólicas! Sua saúde agradece!
Referências:
- AGNOL, Tatyana Dall'; SOUZA, Paulo Fernando Araújo de. Efeitos fisiológicos agudos da taurina contida em uma bebida energética em indivíduos fisicamente ativos. Rev Bras Med Esporte, Niterói , v. 15, n. 2, p. 123-126, Apr. 2009 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922009000200008&lng=en&nrm=iso>. acesso 28 Apr. 2015
- Dossiê Bebidas Energéticas - Food Ingredients Brasil, nº 23 - 2012. Disponível em <http://www.revista-fi.com/materias/287.pdf>. acesso 28 Apr. 2015
- Bebidas Energéticas - Brasil Escola. Disponível em <http://brasilesco.la/b678> . acesso 28 Apr. 2015
- BRASIL. SECRETARIA NACIONAL DE POLÍTICAS SOBRE DROGAS. . I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras. Brasília: Equipe Planin, 2010. 284 p. Em Parceria com o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) em parceria com o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – GREA/IPQ-HC/FMUSP. Disponível em: <http://www.uems.br/eventos/enfrentamento/arquivos/20_2011-07-13_12-57-31.pdf>. Acesso em: 28 abr. 2015.