A Ayahuasca e a alteração de consciência

O chá de ayahuasca, também é conhecido como yajé, caapi, vinho de deus. Na linguagem Quéchua, aya significa espírito ou ancestral, e huasca significa vinho ou chá. A bebida consiste da infusão do cipó Banisteriopsis caapi e as folhas do arbusto Psycotria viridis. O uso – inicialmente restrito aos povos indígenas – passou a ser incorporado pelas civilizações e vilarejos da Amazônia Ocidental, surgindo daí um tipo de medicina popular entre civilizações rurais do Peru e da Colômbia, que mantém elementos antigos sobre plantas, absorvidos das tribos indígenas e influências do esoterismo europeu dos colonizadores.
Seu consumo está associado a práticas religiosas, e no Brasil é utilizada em rituais do Santo Daime e da União do Vegetal. Os efeitos, desse modo, estão bastante relacionados aos rituais religiosos, baseados na crença da possibilidade de contato com outros planos espirituais.
A Ayahuasca é percebida entre os povos indígenas como uma poção mágica inebriante, de origem divina, que "facilita o desprendimento da alma de seu confinamento corpóreo". É usada ainda hoje para propósitos de cura, religião e para fornecer visões que são importantes no planejamento de caçadas, prevenção contra espíritos malévolos, bem como contra ataques de feras da floresta. Sim, e como isso ocorre?

Os efeitos alucinógenos do chá de Santo Daime se deve à presença nas folhas da chacrona de uma substância alucinógena denominada N,N-dimetiltriptamina (DMT). O DMT é destruído pelo organismo por meio da enzima monoaminaoxidase (MAO). No entanto, o caapi possui uma substância capaz de bloquear os efeitos da MAO: a harmalina. Desse modo, o DMT tem sua ação alucinógena intensificada e prolongada. Outras plantas amazônicas também possuem DMT e são utilizadas por diversas tribos indígenas como um modo de experiência religiosa. Entre estas estão a jurema (Mimosa hostilis) e o yopo (Anadenanthera colubrina). A jurema é consumida na forma de chá, enquanto as sementes do yopo são maceradas e seu pó, consumido pela via intranasal (cheirado).

O DMT é conhecido como a molécula do espírito e se assemelha um pouco ao LSD, Seus efeitos conhecidos podem durar de 30 minutos a algumas poucas horas. (Inclusive, pesquisem DMT no google imagens, é massa!)
Visões e pensamentos muito rápidos;
Objetos perderem as formas;
Objetos se dissolverem;
Após os primeiros 5 minutos:
Pupilas dilatadas;
Batimento cardíaco acelerado;
Pressão arterial aumenta;
Dentro de 10 minutos:
Alucinações de olhos fechados e abertos;
Grande movimentação na visão
Dificuldade nas expressões e pensamentos;
Pressentimentos que podem levar ao medo.
As complicações

O DMT também pode causar depois do uso, irritações na garganta, distúrbios no sono e dificuldade de concentração para se fazer tarefas. Assim como ocorre com outras drogas alucinógenas, as pessoas que usam o DMT podem aumentar sua dose frequentemente, pois o efeito começa a ter menos intensidade e o período que os efeitos são percebidos se tornam mais curtos. Não é recomendada a mistura do DMT com outras drogas, e é muito perigoso o uso por pessoas que tem a pressão alta.
Na medicina

Estudo de pesquisadores da Unifesp e da USP indica que a ayahuasca pode ter efeitos terapêuticos em casos de depressão e mal de Parkinson. No experimento, os pesquisadores administraram soluções com dosagens variadas, além de placebo, a roedores. A estrutura cerebral de cada grupo foi comparada. Os cientistas concluíram que no cérebro dos animais que tomaram ayahuasca houve diferentes níveis de produção de neurotransmissores – noradrenalina, dopamina e serotonina.
Os neurotransmissores propagam estímulos entre os neurônios. Após a ação, eles são recaptados ou destruídos por enzimas. A ayahuasca inibe as enzimas e concentra os neurotransmissores nas fendas sinápticas, fazendo com que eles tenham uma ação mais prolongada, o que potencializa suas ações.
“Já se sabia que alguns componentes da ayahuasca poderiam agir como antidepressivos. Mas não era sabido que eles alteravam a liberação de neurotransmissores em áreas cerebrais específicas”, afirma Maria da Graça Naffah Mazzacoratti, do departamento de bioquímica da Unifesp.
O estudo é pioneiro em mostrar que a ayahuasca age de formas peculiares no hipocampo (área relacionada a aquisição de memória) e na amígdala (ligada a emoções).
Para Dartiu Xavier da Silveira, professor de psiquiatria da Unifesp e um dos responsáveis pelo estudo, alguns dos achados sugerem que o ayahuasca possa vir a ser um recurso para outras doenças, como dependência química e ansiedade. “Os tratamentos dessas doenças não funcionam para todos os pacientes. Cerca de um terço dos pacientes não melhora com nenhum antidepressivo disponível.”.
Encerrando!
É isso aí galera, com esse post encerramos nossas atividades desse semestre. Esperamos que nossas postagens tenham sido úteis de alguma forma. Até mais!
Referências:
- DE SOUZA, P.A.. Alcaloides e o chá de ayahuasca: uma correlação dos "estados alterados da consciência" induzido por alucinógenos. Rev. bras. plantas med., Botucatu , v. 13, n. 3, p. 349-358, 2011
- COSTA, M.C.M; FIGUEIREDO, M.C.; CAZENAVE, S.O.S.; Ayahuasca: Uma abordagem toxicológica do uso ritualístico. Rev. Psiquiatria USP, São Paulo, v.32, n. 6, p. 310.
- Correio da Amazônia: Cientistas testam ayahuasca para Depressão e Parkinson. Disponível em: <http://www.correiodaamazonia.com.br/cientistas-testam-ayahuasca-para-depressao-e-parkinson/>